Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Onde você guarda seus olhos? A complicada arte de ver.


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca."

Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. 

"Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto.

Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles... Tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral da catedral gótica."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico.

Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales" de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse:

"Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado.

Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou:

"A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê".

Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra".
Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.

O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.
Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver.

O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho".

Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu:

"Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam.

Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram".

Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam...

Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que veem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.


Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas".

Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

Texto de Rubem Alves, originalmente publicado no caderno “Sinapse”, jornal “Folha de S. Paulo”, publicado em 26/10/2004.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

SER PASTOR, UM GRANDE DESAFIO!




















Se o culto termina cedo: "O pastor é muito frio e metódico, não deixa o Espírito Santo operar."

Se o culto excede do horário: "O pastor é irresponsável e impontual."

Se vem um pregador de fora e excede o horário: "Como Deus usa aquele homem, olha só que horas o culto acabou!"

Se o pastor excede o horário: "O pastor não entende que temos de trabalhar amanhã cedo, tudo tem que ser feito com ordem e decência!"

Se Deus usa um pregador de fora: "Que homem usado por Deus!"

Se Deus usa o pastor: "Está querendo se mostrar e imitar outros pregadores."

Se o pastor prega muito: "É muito chato e cansativo!"

Se prega pouco: "Não conhece bem a palavra."

Se a palavra do pregador de fora falou em sua vida: "Aquele tem Dom de discernimento."

Se a palavra do pastor falou em sua vida: "Ele sabe tudo de mim, está querendo me expor."

Se o pastor faltar a algum culto: "É sem cuidado com suas obrigações."

Se algum irmão ou obreiro falta: "Estava cansado e precisava relaxar um pouco."

Se o pastor não visita: "É descuidado e relaxado com suas ovelhas."

Se visita: "Não tem mais o que fazer, gostar de viver nas casas para filar a bóia dos irmãos."

Se sai de casa muito: "Não liga para sua família."

Se é caseiro: "É preguiçoso."

Se anda mal arrumado: "É muito relaxado, descuidado e pobre."

Se anda bem arrumado: "É metido e quer ter aparência de rico."

Se os filhos do pastor são peraltas e erram: "O pastor não os educa adequadamente e não os disciplina."

Se são seus filhos ou dos irmãos: "Criança é assim mesmo. Carecem de misericórdia e orações."

Se o pastor cai em pecado: "É um enganador e vigarista - Alguém dirá: eu já sabia que isto ia acontecer."

Se algum irmão cai em pecado: "Coitado! É digno de misericórdia e ajuda."

Se o pastor erra em alguma coisa: "Isso é inadmissível, logo surgem mágoas dele."

Se alguém erra: "Isso é uma casualidade, temos que perdoar uns aos outros."

Se o pastor é bem de vida: "Está roubando a igreja."

Se não é bem de vida: "É um homem de pouca fé."

Se ora muito: "Está querendo se mostrar e ser santão."

Se ora pouco: "É irresponsável e preguiçoso."

Se a esposa do pastor não é ativa na igreja: "Coitado do pastor merecia uma esposa bem melhor para ajudá-lo no ministério."

Se é ativa: "É metida e gosta de se aparecer."

Autoria Desconhecida

 Obs: A Bíblia diz- Hb. 13.7 e 17 "Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver. Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil."

Como você está tratando, amando e honrando seu pastor e a família dele?

SE VOCÊ FOSSE PASTOR GOSTARIA DE TER UMA OVELHA IGUAL A VOCÊ NO SEU REBANHO? 




sexta-feira, 1 de abril de 2011

A beleza dos dias comuns




No final do dia, o marido se dirige à esposa e diz: "Hoje foi um daqueles terríveis dias comuns".

Acho muito interessante como temos uma visão errada sobre os "dias comuns".

Dias comuns são aqueles dias em que tudo foi exatamente como sempre havia sido antes. Normalmente eles são reconhecidos como tediosos e maçantes.

Prefiro observar os "dias comuns" de forma diferente (até porque a maior parte dos nossos dias são "comuns", se eles forem chatos, a nossa vida tende a ser uma chatice só!).

Para mim, os "dias comuns" têm grande valor. Quer ver?

* nos dias comuns eu não estou doente nem estou com dor (quando tenho alguma dor, o dia não é um dia comum).

* nos dias comuns ninguém que eu amo faleceu ou está muito doente (quando alguém que eu amo está sofrendo, os dias não são comuns).

* nos dias comuns não perco o meu emprego.

* nos dias comuns a minha vida não está envolvida em nenhum escândalo ou catástrofe.

* nos dias comuns as pessoas que eu amo também me amam e não estão "de mal" comigo.

* nos dias comuns eu não passo fome e nem frio.

* nos dias comuns eu não participo das guerras e nem vejo a morte bem perto de mim.

* nos dias comuns o sol não provocou uma seca e nem a chuva provocou uma enchente.

* nos dias comuns não sou assaltado nem seqüestrado.

* nos dias comuns os amigos não me traem.

* nos dias comuns estou em paz.


Viu? Dias comuns podem se tornar tediosos, mas dias "especiais" (não comuns), podem ser muito difíceis e sofridos. Por isso, prefiro os dias comuns e escolho valorizá-los.

Há alguns dias atrás tive um problema de saúde. Passei mal e tive dor. Nesse momento, fiquei lembrando do dia anterior... um "dia comum".

No ordinário dos "dias comuns" eu vejo a mão de Deus. Por isso, sou grato pela beleza dos "dias comuns".



Luís Eduardo Machado 

domingo, 27 de março de 2011

A Imagem que o Rosto Reflete



O grande pintor Leonardo da Vinci, levou anos para pintar seu quadro: “A Santa Ceia”. Em vão ele procurava um modelo apropriado para a face do Salvador. Então ele encontrou um cantor de um coral, em uma Igreja, cujos traços nobres lhe chamaram a atenção.
Imediatamente chamou o rapaz, Pietro Bandinelli, para posar para o quadro, e deu a Jesus a fisionomia do rapaz. Durante anos ele continuou a pintar o quadro. Os dicípulos estavam quase todos prontos, e só faltava o modelo para Judas Iscariote, aquele que traiu Jesus.
Da Vinci passou, então a andar pelas ruas de Roma, procurando um rosto adequado. Finalmente achou a pessoa com o rosto certo. Era o de um mendigo sujo e esfarrapado com uma expressão ameaçadora. Ele estava parado em uma esquina e lovo foi convidado para servir de modelo, aceitando de imediato. Mas, quando o pintor contemplou os traços do mendigo mais atentamente, de susto, o seu pincel lhe caiu da mão, tratava-se do mesmo Pietro Bandinelli, cujo o bonito rosto, o pintor já havia usado como modelo para o rosto de Jesus. O que é que havia transformado o rosto angelical em um rosto de bandido, de Judas A pobreza A fome A doença ou coisa parecisa Não, o pecado o havia rabaixado tanto e ele havia se tornado um alcoólatra, um viciado e um jogador. Havia descido degrau por degrau, até que seu rosto mais parecia o de um homem do que de um anjo.
Sabemos que os quadros não retratam verdadeiramente o que seria o rosto real de Cristo ou de Judas, mas esta história veio para nos ensinar algo importante.
Em cada pessoa estão as duas possibilidades. Ou o nosso rosto retrata a pintura que o Criador colocou em cada um de nós e que pode se projetar cada vez mais claramente, ou esta imagem de Deus desaparece cada vez mais com o pecado, transformando o homem em um ser brutal.
Em nossas vidas existem ambas possibilidades. Enobreça sua imagem, torne-a cada vez mais digna da semelhança do nosso Criador, a fim de que possamos ser sempre vistos e lembrados como aqueles que projetam a imagem do bem, dos que vivem a Palavra de Deus.
Creditos: Viva a vida com Jesus

sábado, 19 de março de 2011

Abrahan Lincoln - O Homem que Ganhava Perdendo



A água começava a entrar em ebulição. Segurando o bebê nos braços, eu contemplava pensativo aquela chama azulada aquecendo o bule. O chiado da fervura me fazia pensar na mudança que os corpos sofrem ao serem limpados de suas impurezas: a água fervente matando as bactérias, o cadinho evaporando ao fogo os minérios menos nobres que o ouro, o bisturi cortando o corpo em busca de células infectadas. 

Tudo o que é limpado sofre. Sofre a boa árvore frutífera ao ser podada, a parede suja ao ser sulcada pela lixa, o coração humano ao ser convidado a deixar sua vida cômoda para buscar a verdadeira satisfação que sacia e que não passa.

Mas, isso dói. Aliás, tudo o que nos escapa do controle machuca, causa insegurança e insônia; amargura. Porque estamos mais do que habituados a olhar somente o que se pode ver, o que se pode tocar. O horizonte longínquo com as surpresas que esconde por trás da névoa do entardecer não nos desperta curiosidade, mas somente o que é visível, tangível, palpável. Se isso ocorre, está tudo bem. Se desaparece de nossa vista, é o caos. Falta-nos o chão, o ar. A vida fica amarga, sem expectativa decente. Um reclama da economia e já ao seu lado faz-se coro de muitas vozes. Concordando, claro.

Porém, alguns de nós são diferentes. Soube de um homem que tinha tudo para ser um desses amargos, um eterno frustrado por suas constantes trombadas com a vida. Na primeira tentativa de emprego o entrevistador lhe perguntara se teria sido capaz de tirar nota melhor no teste escrito. Disse que sim. Perdeu a vaga. “Por que não deu tudo de si agora? Por que deixou para depois?”, retorquiu o empregador. 

Valeu a lição, pensou ele. E aí candidatou-se a vereador em sua cidade. Perdeu. Depois, a prefeito. Perdeu. Ainda a deputado estadual. Nova queda. A federal. Hummm... A governador do estado. Nada! Tentou o senado. Novo banho. A presidente da república! Aí, ganhou. É, ganhou... Seu nome? Abraham Lincoln, um dos melhores presidentes que os Estados Unidos já teve.

Deus trabalha estranhamente nos corações. Faz crescer perdendo; arranca um braço da árvore para lhe dar um ramo melhor e com um fruto mais doce; faz-nos passar pela pobreza para conhecer a verdadeira riqueza. E uma vez livre das impurezas, o ouro vira lingote. Pesado e valioso. Mas, pouco antes era apenas pó misturado a outros pós, sujeira sem valor.

Que os dias ferventes por que passamos sirvam-nos de sinal para os alegres que nos aguardam. E que não nos falte a coragem de prosseguir quando a derrota surge na primeira eleição. Haverá muitas outras até chegarmos a presidente...


Medite:
"O crisol prova a prata, e o forno, o ouro; mas aos corações prova o SENHOR". 
(Provérbios 17:3)



Cezar Augusto Ribeiro (Formatado por: Magali Coutinho)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Conselhos para viver



Celebrei recentemente meu 20º. aniversário de casamento, compareci à 25ª. reunião da minha turma da Faculdade de Direito e comemorei o meu 50º. aniversário. Todos estes marcos me tornaram um pouco mais ponderado. Com isto em mente, compilei uma relação para os meus filhos e chamei-a de "Conselhos Para Viver". 

1. Sonhe grande, arrisque-se, viva com ousadia.

2. Faça do dormir cedo e levantar-se cedo um hábito.

3. Ame profundamente e com paixão.

4. Mantenha-se em conexão com Deus, todos os minutos, todos os dias.

5. Seja rápido para elogiar, tardio para criticar.

6. Caminhe aquele quilômetro a mais. Com alegria, dê às pessoas mais do que esperam de você.

7. Viva a vida a partir de uma perspectiva de eternidade.

8. Dê com generosidade, sem esperar nada em troca.

9. Escreva notas de apreciação diariamente.

10. Leia mais livros e assista menos TV.

11. Para cada livro contemporâneo, leia um livro do século passado.

12. Seja rápido para admitir erros e pedir perdão.

13. Um bom dia é aquele em que você ri e chora.

14. Faça do fracasso um ponto de apoio para chegar ao sucesso.

15. Diga todos os dias ao seu cônjuge e aos seus filhos que você os ama. 

16. Ligue com freqüência para sua mãe.

17. Olhe as pessoas nos olhos.

18. Seja entusiasta.

19. Descubra um lugar silencioso para onde se retirar e orar, a fim de manter os olhos em Jesus. 

20. Tenha sempre alguém a quem possa servir de mentor e alguém que seja seu mentor. 


21. Dê graças em todas as circunstâncias.


22. Pense com liberdade, seja criativo.



23. Nunca pague o mal com o mal, nem procure se vingar.


24. Semeie generosamente. Da forma como se semeia, se colhe.

25. Sorria e aprecie a vida. Pare e sinta o perfume das rosas.

26. Não passe pela vida como um turista. Seja um embaixador de Deus.

27. Faça de seu lar um lugar de alegria e paz.

28. Mantenha amigos por toda a vida.

29. Não se preocupe com o que as pessoas estão pensando de você -- elas não estão.

30. Sua atitude e seu caráter são mais importantes do que sua aparência.


Fonte: jesussite 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Como você lida com a Adversidade em sua vida?




Um dia...

Uma moça queixou-se a sua mãe sobre sua vida e de como as coisas estavam tão difíceis para ela. Ela já não sabia mais o que fazer e queria desistir. Estava cansada de lutar e combater. Parecia que, assim que um problema estava resolvido, um outro surgia.

Então, sua mãe levou-a até a cozinha. Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto. Logo, as panelas começaram a ferver. Em uma delas, colocou cenouras, em outra, ovos e, na última, pó de café. Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra. A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ela estaria fazendo.

Minutos depois, ela apagou o fogo. Pegou as cenouras, os ovos e o café, colocando-os em recipientes separados. Virou-se para a filha e perguntou:

- Querida, o que você está vendo?

- Cenouras, ovos e café - ela respondeu.

Ela a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras. Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.

Ela, então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse. Ela obedeceu e, depois de retirar a casca, verificou que o ovo endurecera com a fervura.

Finalmente, ela lhe pediu que tomasse um gole do café. Ela sorriu ao sentir seu aroma delicioso e então perguntou:

- O que isto significa, mãe?

- Cada um destes - a cenoura, o ovo e o café - enfrentou a mesma adversidade, a água fervendo, mas cada um reagiu de maneira diferente. A cenoura, outrora crua e rígida, amolecera e se tornara frágil. Os ovos, antes frágeis, mesmo com sua casca protegendo o líquido interior, tornaram-se firmes e mais resistentes. Já o pó de café é incomparável: depois que o coloquei na água fervente, ele mudou a própria água.

Após profundo silêncio, a mãe prosseguiu:

- Qual deles é você? Quando a adversidade bate à sua porta, como você responde? Você é a cenoura, o ovo ou o pó de café? Você é como a cenoura, parecendo firme e forte, mas, com a dor e a adversidade, murcha e se torna frágil, perdendo sua força? Ou será que você é como o ovo, começando maleável, mas, depois de sofrer alguma pressão da vida, torna-se dura? Sua "casca" até parece a mesma, mas por dentro, você está dura. Será que você é como o pó de café? Você transforma o meio que a aflige, altera o que está trazendo a dor e oferece algo melhor e mais gostoso do que havia antes da adversidade?

Elas se abraçaram e choraram de alegria por ter uma à outra.

Lição: Como você lida com a adversidade? Pense nisto. Você é a cenoura, o ovo ou o café?